
O que realmente estamos ensinando às nossas crianças?
O grande filósofo Immanuel Kant dizia: “Se você castigar uma criança por ser
má e a recompensar por ser boa, ela fará o que é certo apenas pela recompensa.”
Quando prometemos dar um bom presente à criança, caso ela consiga tirar boas notas
ou apresentar bons comportamentos, estamos tentando induzi-la a apresentar bons
resultados a curto prazo. No mundo corporativo acontece o mesmo: se você atingir as
metas da empresa, ganhará uma promoção. No universo político observamos a mesma
dinâmica de conchavos e barganhas. O que tudo isso tem a ver com ética, política e
educação infantil?
Se analisarmos a crise constitucional que estamos acompanhando diariamente
nos noticiários envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal, veremos que esse
método é a base da formação de corruptos. As autoridades que controlam o poder agem
com base no critério apelidado de toma lá, dá cá, ou seja, eu te dou uma coisa, mas
você me dá outra. Creio que é muito difícil mudar um sistema que já está enraizado na
sociedade há centena de anos, mas talvez ainda resta alguma esperança de futuro, se
educarmos as crianças de modo diferente e é por isso que eu escrevo esse artigo.
Um dos pilares mais importantes do desenvolvimento infantil é a Educação não
verbal que explica como as crianças absorvem o mundo ao seu redor. Elas aprendem
através do que veem e experimentam seja num jogo de computador ou na interação com
adultos. Na nossa sociedade, o que vemos é a corrupção sistêmica instalada em todas as
instâncias do poder. Se os pais e educadores reproduzirem esse sistema dentro de casa
em sua interação com as crianças, nada vai mudar pois a geração de agora é o modelo
ético das gerações futuras.
Creio que o maior exemplo de Educação não verbal da história da humanidade é
Jesus Cristo. Ele não ensinou por meio de estratégias políticas do tipo “toma lá, dá cá”,
mas através do exemplo vivo do amor desinteressado. Como cristãos, o mínimo que
podemos fazer para que mude alguma coisa lá no futuro é agir agora; é ensinar às
crianças valores humanos, como respeito, gentileza e compaixão. No entanto, ensinar é
muito mais do que fazer discursos bonitos e sim dar exemplos práticos por intermédio
de ações concretas e conduta ética. Concluindo, a verdadeira transformação de uma
nação não começa nas leis ou na política, mas na semeadura silenciosa do Evangelho no
coração das nossas crianças.
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